quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Ritmo e Poesia

É a revolução através das palavras, essência de denúncias e injustiças vividas pelas  periferias das grandes cidades

Essa moçada usa boné, bermudas largas, moletons imensos, cabelo raspado e óculos escuros, querem mostrar sua identidade e costumes de uma maneira explícita. Esse movimento é o rap que, hoje, já está incorporado no cenário musical brasileiro, vencendo os preconceitos e saindo da periferia para ganhar o grande público.
O início do rap se deu na Jamaica, por volta dos anos 1960, seu ritmo servia para animar bailes, em forma de poesia e voz falada, onde todos entendiam a mensagem de injustiça vivida pela periferia.
Foto Divulgação

Por volta de 1970, uma crise econômica e social se abateu sobre Kingston, ilha jamaicana onde teve início o movimento rap, o que fez com que os jamaicanos emigrassem para os Estados Unidos. A exemplo do que faziam na Jamaica, davam festas de rua no bairro utilizando uma aparelhagem chamada sound system  que consistia em um par de toca-discos interligados, dois amplificadores e um microfone que era usado para dar recados durante as festas, buscando a animação. O DJ Jamaicano Kool Herc (foto)  foi quem espalhou essa tradição por Nova Iorque, atingindo as classes mais pobres até chegar à alta burguesia.
No Brasil, o rap teve início nos anos 1980, na cidade de São Paulo, a mais opressiva das cidades brasileiras. Os rappers têm uma ideia mais precisa de sua revolução, começando pelas armas: sua palavra em primeiro lugar. Os primeiros shows de rap eram apresentados no Teatro Mambembe pelo DJ Theo Werneck. A força dos grupos não está na capacidade de excluir e de colocar-se acima da massa, mas sim a vontade de inclusão, da insistência na igualdade entre artistas e público, todos negros, todos de origem pobre, todos vítimas da mesma discriminação e da mesma escassez de oportunidades, pois nessa época as pessoas não aceitavam o rap como gênero musical comum da sociedade e sim como algo violento e da periferia.
Foto Divulgação
Na década de 1990 o rap ganha as rádios e a indústria fonográfica começa a dar mais atenção ao estilo, mais popularizado. As pessoas passam a se interessar pelo conteúdo das letras e incluem o movimento como sendo mais um estilo musical comum. Os primeiros rappers que fizeram sucesso foram Thaíde e DJ Hum (foto), o rap então começava a ser utilizado e misturado com outros gêneros musicais. Mano Brown, Ice Blue, KL Jay e Edy Rock são os quatro jovens que fundaram e fizeram sucesso com o grupo Racionais MC’s no final da década de 1980 e início da década de 1990. Na periferia de São Paulo deram início com um discurso contra a opressão às populações, exploraram o rap e ajudaram a fazer parte da sociedade denunciando as injustiças, demonstrando o orgulho da raça negra e lealdade para com os irmãos de etnia e de pobreza.
O rap brasileiro já tem um caminho de amadurecimento desde seu surgimento, alguns grupos ganharam espaço na indústria cultural e são referência para quem faz e ouve rap no Brasil, divulgando através de shows, gravações independentes e pela internet. É a Revolução através das palavras, essência de denúncia e injustiças vividas pela pobre das periferias das grandes cidades.

Por Ivanilda Sousa.

Música da Liberdade de Expressão

Com linguagem e letras características, o rap leva a sociedade a refletir


Considerado por muitos como música de pobre e até mesmo de bandido, o rap tem conquistado cada vez mais espaço e hoje consegue atingir todas as classes sociais, as ideias tem se expandido, sendo disseminadas por toda parte. “É tudo nosso!”, expressão frequentemente usada pela galera do rap, é um grito de liberdade de um movimento que não se limita, não se fecha e não se esconde, pelo contrário, se expõe e se mantém firme no cenário musical.
  
Foto Divulgação
   “Rap é a música da liberdade de expressão”, afirmou o DJ KL Jay (foto), integrante do grupo Racionais MC’s. A ideologia é simples, cada um a sua maneira, de acordo com sua vivência, transmite, por meio de suas letras, a realidade, com o intuito de informar a população, conscientizar, protestar ou simplesmente mostrar sua música, seu trabalho. Suas letras costumam incomodar, talvez porque, como diz o velho ditado, “a verdade dói”. Com palavras fortes, rimas combinadas com uma boa batida, os rappers alcançam a rapaziada e levam muitos a pensar, a refletir. “Potencializa moleques analfabetos que não sabem de nada e postam uma letra de postura, de ideologia, de respeitar a mãe e o pai...”, disse o escritor e rapper Ferréz.
  Ao contrário do que muitos pensam, as canções não são de apologia ao crime ou incitação ao uso de drogas, são histórias onde o bandido nunca tem um final feliz, críticas ao sistema e valorização do ser humano. O Oitavo Anjo, do Grupo 509E, por exemplo, diz Acharam que eu estava derrotado/ Quem achou estava errado/ eu voltei, tô aqui, se liga só, escuta aí/ ao contrário do que você queria, tô firmão, tô na correria/ sou guerreiro e não pago pra vacilá, sou vaso ruim de quebrar...”, a música mexe com a auto-estima, assim como em Vida Loka, parte I, do Grupo Racionais MC'S: “Fé em Deus que Ele é justo! Ei irmão, nunca se esqueça/ Na guarda, guerreiro levanta a cabeça, truta/ Onde estiver, seja lá como for/ Tenha fé, porque até no lixão nasce flor...”. Críticas ao preconceito racial também podem ser encontradas em diversas letras, o Rappin Hood canta em Caso de  Polícia: “Se você for preto como eu ou meu irmão/ Parado é suspeito, correndo é ladrão” e valoriza a cor em Tributo às Mulheres Pretas,  “...a todas as deusas do Ébano/ deusas da beleza/ as nossas rainhas/ essas são as nossas mulheres pretas”.
Nesses trinta anos do movimento no Brasil, como tudo na vida, aconteceram mudanças. Há mais artistas, mais CDs sendo gravados de forma independente, o público também cresceu e o rap é mais respeitado entre os profissionais de outros estilos musicais. Para KL Jay, uma das mudanças foi a mentalidade de serviço social. “O protesto continua, é a mesma coisa, mudou o jeito de fazer. O protesto é o mesmo, só que agora a gente não tá mais com medo, medo de alcançar, de chegar”. Para o DJ, a nova geração, na sua maioria, tem a mesma ideologia, só que não tem medo de aparecer e até mesmo de ganhar seu dinheiro e se estruturar na vida por meio de sua música. “Não é porque você veio de uma classe desfavorecida, que você vai ter medo de crescer”, disse o rapper.
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  Um dos nomes dessa nova geração é o Emicida, com  mais de 27 mil seguidores no twitter, é conhecido pela expressão “A Rua é Nóis”, em Triunfo, o rapper canta: “...Milhares de olhares imploram socorro na esquina/ No morro a fila anda a caminho da guilhotina/ Várias queima de arquivo diária com a fome/ E vão amontuando os corpo de quem não tem sobrenome/ Eu vi, com os próprios olhos a sujeira do jogo/ Minha conclusão é que muito buzo ainda vai pegar fogo...”. 


  O lançamento da mixtape Emicidio, do Emicida, no dia dezesseis de outubro deste ano, reuniu  gente de todas as classes, mostrando que o rap vem quebrando barreiras. A questão do preconceito é que a galera do gueto vai até o bairro de classe média pra curtir um show como esse, mas o pessoal do bairro nobre não vai pra periferia, ainda existe o medo, “medo do que eles não conhecem”, afirmou Mirella, uma das pessoas que lotou o estúdio EMME, em Pinheiros. Mas, aos poucos, o cenário está mudando, porque a ideologia une as pessoas.


  Com linguagem das ruas, o rap é um estilo próximo das pessoas simples, os discursos cantados são verdadeiras poesias que levam esperança e coragem para aqueles que tem sede de justiça. É mais que um estilo musical, é um estilo de vida.


 Por Lidiane Carvalho.

               

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Perfil

GOG


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  Seu nome é Genival Oliveira Gonçalves, daí vem seu pseudônimo GOG. Nascido na cidade de Sobradinho no Distrito Federal em 1965. Com oito anos de idade se mudou para Guará II onde algumas transformações ocorreram em sua vida: a chegada do rap veio com o convívio dos primos mais velhos amantes da black music, os vinis, a formação do grupo de dança “Magrello’s Pop Funk”, que deu origem ao grupo de rap “Os Magrello’s”. Assistiu a Ditadura, vários movimentos sociais, viu se formar o Hip Hop brasileiro com Thaíde, DJ Hum e Racionais MC’s. Teve vários convites de produtores musicais para lançamentos e participações de discos como o seu DVD, GOG Ao Vivo Cartas Postal Bomba.



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Mano Brown
  Pedro Paulo Soares Pereira, esse é o nome de Mano Brown, um dos mais famosos rappers do Brasil, nascido na cidade de São Paulo no dia 22 de Abril de 1970. Integrante do grupo Racionais MC’s, formado em 1988, ajudou a trazer o rap para a sociedade, faz composições de letras que abordam a vida na periferia das grandes cidades do Brasil, em destaque para o bairro onde mora, no Capão Redondo localizado na Zona Sul da cidade de São Paulo.

Thaíde

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  Thaíde, nome artístico de Altair Gonçalves, nascido em 5 de Novembro de 1967, rapper brasileiro e ator. Thaíde fez parte da velha escola do rap nacional, iniciou sua carreira no início dos anos 1980. Ao lado de seu parceiro DJ Hum foi um dos primeiros artistas de rap do país a gravar, ganhou projeção nacional com o sucesso da clássica Corpo Fechado. Hoje é considerado um dos principais nomes do rap brasileiro. Estreou como ator no filme “Antonias”, apresentou também os programas de rap “Yo” da MTV brasileira, e o Manos e Minas da TV Cultura em 2009.



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Rapin Hood
  Antônio Luiz Júnior, mais conhecido como Rappin’Hood, é rapper e apresentador, nascido em 1972. Foi criado na Vila Arapuá, Heliopólis, na periferia da cidade de São Paulo. Lançou-se como rapper em 1989 quando ganhou um campeonato de rap. Em 1992 formou o conjunto Posse Mente Zulu e se apresentou em 1995 no Vale do Anhangabaú em um evento de bandas de rap, em homenagem aos 300 anos de Zumbi dos Palmares. Em 2001 lançou seu primeiro disco solo e ainda criou e apresentou o programa Rap Du Bom transmitido aos sábados na 105 fm. Em 2008 assinou contrato com a TV Cultura para apresentar o programa Manos e Minas deixando em 2009 o comando para o rapper Thaide.

  Por Ivanilda Sousa.

Dicas Culturais


DVD'S


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Ao Cubo
Com novo disco no mercado, que leva o selo próprio (Ao Cubo), o grupo paulista investiu numa produção com banda na gravação do DVD Ao Cubo Respire Fundo Acústico. Além do show, você confere os seguintes extras: making off, galeria de fotos, depoimentos e premiações.



 
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Favela 100%
Para conhecer um pouco dos trabalhos organizados pelo Projeto Periferia Ativa, nada melhor que conferir o DVD 100% Favela. Além de abordar temas do cotidiano da comunidade local, é possível conferir um dos shows realizados pelo Projeto, que conta com participação do escritor Ferréz e o grupo Negredo.





 
Livros


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Capão Pecado - Ferréz

Para quem aprecia uma boa leitura, vale a pena conferir o livro Capão Pecado, do escritor Ferréz. Com uma linguagem do gueto, o autor consegue mostrar a realidade da periferia de uma maneira instigante do começo ao fim. “Capão é um livro de mano para mano. É ácido e violento. É um grito”, garante o autor.




                                           

                                             Marcos Lopes - Zona de Guerra

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Nenê era conhecido desde criança como briguento, chegou a ser expulso de escolas, se envolveu com o tráfico e o crime. Tinha perfil de um cidadão sem futuro. Depois de ter passado pela Casa do Zezinho, conseguiu provar que mudança de caráter é possível. Hoje é mais conhecido com seu nome de batismo, Marcos Lopes, e por seu primeiro livro, Zona de Guerra, que conta histórias de pessoas do bairro onde nasceu e cresceu, o Parque Santo Antônio, região do Capão Redondo, zona sul de São Paulo.




CD'S


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MV Bill lançou o seu quarto CD intitulado “Causa e Efeito”. O álbum contou com as participações especiais de Chuck D. (líder do grupo de rap americano Public Enemy) na música “Transformação”, e Chorão (Charlie Brown Jr), na faixa “Cidadão Refém”. Na produção,  teve a colaboração  do DJ KLJ, dos Racionais MC’s.




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Dimenó também é destaque no lançamento de rap nacional. Em parceria com Dj J. Jota e o Grupo A Fallange, do qual é padrinho, lançou seu álbum solo “O que não mata fortalece”. O cd contém 20 faixas e participações de Douglas (Realidade Cruel) e Nicole (Inquérito).





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Emicida é, sem dúvida, um dos maiores nomes do hip hop da atualidade, já elogiado por artistas de peso como Jair Rodrigues, Lenine e Caetano Veloso. Acaba de lançar a Mixtape Emicidio, que conta com 18 faixas.


  

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Negredo
Um dos representantes do rap na zona Sul, é o grupo Negredo, formado por Mc Tó, Ylsão, Dj Alê e Arnaldo. Eles que produziram seu segundo álbum, intitulado de “A Cupula Negredo”. Com participações de: Dun-dun (Facçao Central), Mauricio (Detentos do rap), Rdg , Luciana , Edga Vida, Ferréz e Selma Tristão. 








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Dj Alpiste
Uma ótima pedida pra quem ainda não conhece rap Gospel, é o novo Cd do Dj Alpiste, Invencível, produzido pela Sony Music. Mantendo sua suas rimas fortes e ritmo contagiante, traz participações de Dj Jamaica, Álvaro Tito, Easy Kaos, Asafe Hernandes, Lucas seu filho e Cabal.






  Por Bárbara Sousa.