É a revolução através das palavras, essência de denúncias e injustiças vividas pelas periferias das grandes cidades
Essa moçada usa boné, bermudas largas, moletons imensos, cabelo raspado e óculos escuros, querem mostrar sua identidade e costumes de uma maneira explícita. Esse movimento é o rap que, hoje, já está incorporado no cenário musical brasileiro, vencendo os preconceitos e saindo da periferia para ganhar o grande público.
O início do rap se deu na Jamaica, por volta dos anos 1960, seu ritmo servia para animar bailes, em forma de poesia e voz falada, onde todos entendiam a mensagem de injustiça vivida pela periferia.
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| Foto Divulgação |
Por volta de 1970, uma crise econômica e social se abateu sobre Kingston, ilha jamaicana onde teve início o movimento rap, o que fez com que os jamaicanos emigrassem para os Estados Unidos. A exemplo do que faziam na Jamaica, davam festas de rua no bairro utilizando uma aparelhagem chamada sound system que consistia em um par de toca-discos interligados, dois amplificadores e um microfone que era usado para dar recados durante as festas, buscando a animação. O DJ Jamaicano Kool Herc (foto) foi quem espalhou essa tradição por Nova Iorque, atingindo as classes mais pobres até chegar à alta burguesia.
No Brasil, o rap teve início nos anos 1980, na cidade de São Paulo, a mais opressiva das cidades brasileiras. Os rappers têm uma ideia mais precisa de sua revolução, começando pelas armas: sua palavra em primeiro lugar. Os primeiros shows de rap eram apresentados no Teatro Mambembe pelo DJ Theo Werneck. A força dos grupos não está na capacidade de excluir e de colocar-se acima da massa, mas sim a vontade de inclusão, da insistência na igualdade entre artistas e público, todos negros, todos de origem pobre, todos vítimas da mesma discriminação e da mesma escassez de oportunidades, pois nessa época as pessoas não aceitavam o rap como gênero musical comum da sociedade e sim como algo violento e da periferia.
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| Foto Divulgação |
Na década de 1990 o rap ganha as rádios e a indústria fonográfica começa a dar mais atenção ao estilo, mais popularizado. As pessoas passam a se interessar pelo conteúdo das letras e incluem o movimento como sendo mais um estilo musical comum. Os primeiros rappers que fizeram sucesso foram Thaíde e DJ Hum (foto), o rap então começava a ser utilizado e misturado com outros gêneros musicais. Mano Brown, Ice Blue, KL Jay e Edy Rock são os quatro jovens que fundaram e fizeram sucesso com o grupo Racionais MC’s no final da década de 1980 e início da década de 1990. Na periferia de São Paulo deram início com um discurso contra a opressão às populações, exploraram o rap e ajudaram a fazer parte da sociedade denunciando as injustiças, demonstrando o orgulho da raça negra e lealdade para com os irmãos de etnia e de pobreza.
O rap brasileiro já tem um caminho de amadurecimento desde seu surgimento, alguns grupos ganharam espaço na indústria cultural e são referência para quem faz e ouve rap no Brasil, divulgando através de shows, gravações independentes e pela internet. É a Revolução através das palavras, essência de denúncia e injustiças vividas pela pobre das periferias das grandes cidades.
Por Ivanilda Sousa.


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