O Grupo Negredo com ajuda de alguns rappers semeiam cidadania na favela
Godoi na zona sul de São Paulo
Godoi na zona sul de São Paulo
| Foto: André Mendes |
Uma junção de ideias e projetos distintos (das conversas na esquina aos debates da Cúpula), porém com uma comum e grande vontade de transformação, feita da comunidade para comunidade, fez com que há dez anos nascesse o Projeto Periferia Ativa na favela Godói. Quatro anos antes do inicio do Periferia Ativa a casa onde é realizado era conhecido, como ponto de venda de drogas. Esta casa foi cedida, ao Mano Brown, um dos fundadores, que teve como uma primeira idéia montar uma rádio comunitária, que não obteve muito sucesso. Contando com apoio e influência do grupo Negredo junto à comunidade, foram dados os primeiros passos da longa caminhada do então nomeado Periferia Ativa, que contou também com a participação do poeta Ferréz, sempre presente desde ha fundação.
| Foto: André Mendes |
Hoje aos 37 anos o DJ, produtor, técnico de informática e integrante do grupo Negredo, Alexandre Rocha (Alê), é o responsável por estar a frente das ações do Periferia Ativa. Homem simples e de grande coração, Alê convida a Ritmo e Poesia para conhecer um pouco mais do Projeto Periferia Ativa. Fascinados por entrar nas vielas coloridas e cheia de vida logo procuramos saber como funcionava o trabalho e quais as maiores dificuldades, “a gente costuma dizer que temos uma legião de pessoas que dá uma força” afirma Alê que nunca se considera sozinho, apesar dos altos e baixos, procura sempre doar o seu melhor.
Todos os colaboradores são voluntários e recebem apenas uma ajuda de custo para o transporte e alimentação, os cursos são gratuitos e conta com uma expressiva participação da comunidade, mais recente deles a capoeira vem fazendo sucesso e despertando o interesse da molecada, participante do grupo Corrente Libertadora - Mestre Tigrão, Renato é voluntário no Periferia Ativa e ressalta a importância do esporte para as crianças “a capoeira além de resgatar a história de luta e resistência do povo negro, também relembra o quanto é bom andar com o pé no chão sentir a terra, ter simplicidade, porque hoje os moleques já crescem pensando no tênis Nike, na blusa da oakley, e se esquecem da sua essência de suas raízes”.
| Foto: André Mendes |
O projeto funciona de segunda-feira a sábado e além da capoeira conta com uma série de atividades: iniciação a informática, web design, produção de vídeo, DJ, MC, grafitti, cine pipoca, incentivo a leitura, break. E tudo começou com uma simples biblioteca montada com livros de doação e que hoje já se transformou em uma linda brinquedoteca, onde as crianças contam com acompanhamento e material pedagógico. Além de todos os cursos, o espaço conta também com um estúdio de gravação e atende cerca de 160 crianças e adolescentes.
O maior obstáculo até hoje enfrentado pelo projeto, foi a morte de um dos integrantes do Negredo o Nego Du, que não pode estar presente para ver o quanto o projeto cresceu. Emocionado ao relembrar de seu grande a amigo “Du é uma peça fundamental, ele que articulou todos os contatos entre as pessoas e após a morte dele a gente tinha que dar continuidade ao trabalho” diz Alê, que não desiste do sonho compartilhado com Nego Du de um dia ver a favela toda feliz e envolvida no projeto “se as pessoas acreditarem elas podem mudar”.
Por André Mendes.
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