sábado, 6 de novembro de 2010

Intimidações de um cotidiano

Modo de se vestir dos rappers, causam julgamentos equivocados

  São Paulo, 12:45 de qualquer dia de um janeiro. Meio a quatro paredes transparentes e giratórias soa um alarme, daqueles que já se sabe, algo está errado. Roupas largas, boné e correntes, eis o personagem da vez. Uma, duas e três entradas e saídas e por fim é possível provar que não está armado, e entrar no Banco. São assim os dias em uma sociedade de preceitos. É preciso se provar a todo instante.
  Até quando continuaremos a julgar o próximo por sua cor, crença, modo de se vestir ou padrões de vida? Até quando seremos protagonistas de um filme sufocante que parece não ter fim? O preconceito existe, e precisamos combatê-lo, e quando pensamos nele esquecemos de suas enormes variações.
  Muitas vezes tachados como desocupados ou bandidos os rappers, enfrentam uma batalha diária, a de mostrar para a sociedade sua verdadeira identidade e seus verdadeiros valores. O Rap é um movimento cultural e musical oriundo das grandes periferias e o preconceito com esse estilo é um fato muito presente em nossa sociedade. O modo de se vestir de um rapper causa impacto e muitas desconfianças, o fato de não pertencerem ao senso comum, assusta e intimida a sociedade.
  Hoje o rap tem sua própria identificação, basta você perceber o jeito de se vestir. Já é uma maneira de se identificar. O produtor musical Negro Rauls, classifica o modo de se vestir dos rappers como uma identidade de protesto. “Quem é que gosta de protesto, o governo? Claro que não, muito menos a população.” E diz ter sido alvo de vários atos de preconceito, por sua maneira de se vestir.  Acredita que se cada um valorizar sua própria identidade será uma maneira de se atingir o respeito da sociedade. “Não vou deixar minha identidade, não vou deixar de usar o meu boné”.
  A falta de informação é um dos maiores indicadores no aumento da discriminação no estilo dos rappers que em sua maioria sofrem julgamentos injustos sem fundamentos, como a dificuldade de entrar em locais públicos como bancos e a desconfiança ao entrar em um ônibus. O escritor Ferréz também já passou por muitas dificuldades, as críticas de uma sociedade estereotipada, o tornam uma vítima constante, assim como tantos outros. “Muitas vezes vou em reuniões. E as pessoas me olham se perguntando: Quem é? E quando eu começo a falar as pessoas me respeitam. Eu não consigo viver em um padrão, eu sou isso aqui mesmo, até tenho outras roupas, mas eu não consigo usar, eu me sinto nada a ver. Eu sou isso aqui mesmo”.
  Uma vez que a informação e o respeito se unam a um único objetivo de construir identidades, nossa sociedade será outra. Será aquela que convive com as diferenças e valores, onde o julgamento supérfluo deixará de existir nos tornando mais cidadãos e humanos. O preconceito parte da desinformação e do retrocesso social.


  Por Elaine Caldas.

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